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12 de maio de 2010

Quem confere o aval divino?

Dias atrás, a caminho do escritório, me deparei com a seguinte frase no banco do ônibus: “Deus fez e ama a diversidade”. Isso me fez pensar em todas as “lições” que as pessoas intitulam “ensinamentos divinos”. Sem entrar no mérito da diversidade, fiquei pensando que, se deus existisse mesmo, ele deve estar de saco bem cheio da sua cria. Afinal, deve ser muito chato ter atribuições só para que as pessoas obedeçam a um conceito aceitável pela sociedade e a cultura de sua época. Explico: se há crise, o pastor ensina outros pastores a técnica de persuasão para receber dinheiro de seus fiéis embasado em mandamentos divinos. Se a igreja católica quer fundamentar a sua proibição à camisinha ou ao aborto, busca algumas palavrinhas na Bíblia para ter o apoio do Criador. A mesma Bíblia é aproveitada por grupos fundamentalistas para explicar a sua homofobia, xenofobia e outros tantos preconceitos. Para aqueles que lutam contra esses preconceitos, presume que o Todo Poderoso é o criador da diversidade. Já os pais exercem esse “poder” ao invocar a força divina na tentativa de educar seus filhos.  Fico imaginando a cara de Deus diante de tanta gente usando o Seu nome para defender interesses tão antagônicos.

Quando eu era criança, a referência que tive de Deus foi sempre de um ser punitivo e quase nenhuma do “misericordioso”. Era comum ouvir “Não faz isso que Deus castiga”, mas dificilmente ouvia “incrível o que você fez, Deus está orgulhoso de você” ou ainda, “você pecou, mas Deus em sua misericórdia há de lhe perdoar”. Isso fez com que, por muitos anos de vida, eu seguisse os mandamentos em função da fé pelo medo. Ele não poderia me ajudar em diversas situações, mas poderia me punir severamente se eu andasse fora da linha. Demorei alguns longos anos para me livrar desse estigma.

Antes que pensem que sou atéia explico que tenho as minhas crenças. Não por ter preconceitos com ateus. Admiro-os profundamente por não atribuírem a ninguém a culpa pelas suas próprias falhas. Porém, acredito em uma força maior, em energia e na lei de causa e efeito. Sou devota de Nossa Senhora da Aparecida, meu pai é Oxalá e, minha mãe, Oxum. Tenho profunda simpatia por todos os santos e orixás. Acredito no poder de Kuan Yin, Ganesh e Buda, além de tantos outros deuses de religiões diferentes. Porém, me apoio no poder de fazer o bem, da capacidade de trabalho e no esforço para aprimorar o intelecto. De cultivar amizades, de acreditar que gentileza gera, sim, gentileza, como dizia o poeta.

Contudo, é tão mais fácil maldizer a sorte a colocar a culpa em nós mesmos. Se nos dizem para segurar a mão de Deus, para que assumir nossas fraquezas, nossos medos e até nossa falta de vontade de colocar a vida em dia? Acredito que está na hora de parar com essa necessidade de aval divino e colocarmos a cara para fora da janela. Se por um lado é difícil lidar com nossos defeitos, por outro, é uma delícia sentir os sabores de nossas próprias conquistas.

Quando eu era criança, a referência que tive de deus foi sempre de um ser punidor e quase nenhuma do “deus misericordioso”. Era comum ouvir “Não faz isso que deus castiga”, mas dificilmente ouvia “incrível o que você fez, deus está orgulhoso de você” ou ainda, “você pecou, mas deus em sua misericórdia há de lhe perdoar”. Isso fez com que, por muitos anos da minha vida, eu seguisse os mandamentos em função da fé pelo medo. Deus não poderia me ajudar nas situações diversas, mas poderia me punir severamente se eu pisasse fora da linha. Demorei alguns longos anos e claro, um pouco de terapia, para me livrar desse estigma.

Antes que pensem que sou atéia, explico que tenho as minhas crenças. Não por ter preconceitos com ateus. Admiro-os profundamente por não colocarem a culpa em ninguém das suas próprias falhas. Porém, acredito em uma força maior, em energia e na lei de causa e efeito. Sou devota de Nossa Senhora da Aparecida, meu pai é Oxalá e minha mãe Oxum. Tenho profunda simpatia por todos os santos e orixás. Acredito no poder de Kuan Yin, Ganesh e Buda, além de tantos outros deuses de religiões diferentes. Porém, me apoio no meu poder de fazer o bem, da minha capacidade de trabalho e no meu esforço para melhorar o intelecto. De cultivar amizades, de acreditar que gentileza gera, sim, gentileza, como dizia o poeta.

Mas hoje, ao me deparar com pessoas que usam deus para advogar em suas causas, algumas bacanas como a questão da diversidade, outras horríveis como a campanha da igreja contra o uso da camisinha, e também pensar em pessoas que culpam deus por suas misérias, chego a conclusão que existe uma covardia generalizada. É bem mais fácil lutar por uma causa se ela for assinada em baixo por deus. E extremamente difícil atribuir erros e acertos a si próprio. Se o fulano está endividado, não consegue dormir, brigou com a mulher, não consegue emprego ou está mal de saúde, quem é o culpado? Deus? Ele levanta a cabeça aos céus e pergunta: Por que isso está acontecendo comigo meu deus? Mas, eu nunca tive notícias de que deus entrou em um shopping com alguém e torrou todo o cartão de crédito, colocou sua melhor roupa e foi para a noite se esbaldar com o resto do limite. Também não me recordo de relatos onde deus mandou a mulher à merda, saiu e pegou a primeira que lhe deu bola na rua. Contudo, é tão mais fácil maldizer a sorte a colocar a culpa em nós mesmos. Se nos dizem para segurar a mão de deus, para quê assumir nossas fraquezas, nossos medos e até nossa falta de vontade de colocar a vida para frente?

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