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13 de janeiro de 2013

Que Eu me proteja – Introdução – Parte 1 – Que risco o ateu oferece ao ser humano para provocar a repulsa, a antipatia e até mesmo o ódio nas pessoas?

- Você é ateu?

- ….. você prometeu que não perguntaria isso….(riso nervoso). Mas essa é… uma questão de foro íntimo.

As falas reproduzidas acima são de um jornalista brasileiro e de um ex-presidente do Brasil. Boris Casoy lançou a pergunta em meio a um debate entre candidatos a prefeitura de São Paulo na emissora de TV SBT. O ano era 1985, o primeiro com eleições diretas depois de um longo período sem “voz” para a população da cidade de São Paulo escolher seu representante. Fernando Henrique Cardoso concorria com Jânio Quadros, entre outros. Tinha larga vantagem. Suas propostas, seus ideais e seu histórico político o levaram a liderança nas pesquisas de intenção de voto. Mas, nesse país, que na época era predominantemente católico, a resposta incerta do candidato colocou tudo a perder. As mesmas questões que colocavam FHC à frente da disputa, agora pareciam irrelevantes perante a possibilidade de um candidato ateu. E Jânio Quadros, seu oponente principal, usou e abusou da religião com mote para derrubar seu adversário e chegou à frente na corrida eleitoral.

Esse é apenas um dos casos de preconceito claro com relação àqueles que declaram publicamente não acreditar em Deus – ou que não afirmem o contrário com veemência. Em 2007, a Revista Veja encomendou uma pesquisa ao CNT/Sensus para complementar uma série de reportagens sobre a resistência da fé e da religião. O estudo revelou que apenas 13% dos brasileiros votariam em um ateu para a Presidência da República, enquanto 84% aceitariam votar em um negro; 57% votariam em uma mulher e 32% em um homossexual.

As pesquisas indicam que o ateísmo tornou-se tão estigmatizado que ser ateu virou um total impedimento para uma carreira política. Nos Estados Unidos, o percentual é um pouco maior, mas não deixa de ser preocupante. A revista americana Newsweek disponibilizou um estudo, em 2006, no qual aponta que apenas 37% dos americanos votariam num ateu qualificado para o cargo de presidente.

Embora ainda exista preconceito contra homossexuais, as campanhas contra a homofobia vêm crescendo a cada ano. E isto tem trazido bons resultados. Porém, ao realizar uma pesquisa sobre a Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil em abril de 2010, a Fundação Perseu Abramo chegou a dados alarmantes em relação ao preconceito contra ateus. O estudo revelou que 17% dos participantes disseram ter repulsa/ódio por grupos de pessoas que não acreditam em Deus, ficando empatado com o grupo de usuários de drogas. Ou seja, para os brasileiros, ateus são tão detestáveis quanto os usuários de drogas. Outro dado preocupante é em relação ao grau de antipatia: o grupo de ateus ficou em primeiro lugar com 25%, e o grupo de usuários de drogas com 24%.

Segundo a fundação, o estudo considerou o fenômeno de atribuir o preconceito aos outros, sem reconhecer o próprio, pois a atitude preconceituosa é considerada politicamente incorreta e tende a ser condenável pela sociedade. Desta forma, a pesquisa buscou não só pelos preconceitos assumidos, como também pelos preconceitos velados, utilizando bloco de perguntas voltadas para captar a aversão a pessoas ou grupos sociais considerados ‘diferentes’, ‘estranhos’, ‘que não gostamos de encontrar’, que ‘podem nos fazer sentir antipatia por elas, e ‘às vezes até ódio’.

Para a psicóloga Guydia Patrícia Dias Costa, a repulsa ou até mesmo o ódio por usuários de drogas pode ter suas origens baseadas no medo do desconhecido. “As características mais comuns em indivíduos que usam substâncias químicas são a rebeldia, a psicose e algum distúrbio de personalidade. Ao encontrar uma pessoa “drogada” na rua, logo se pensa que ele poderá fazer algum mal pois ele pode não estar de posse total das suas faculdades mentais, alteradas pela substância tóxica”, explica. Mas, que risco o ateu oferece ao ser humano para provocar a repulsa, a antipatia e até mesmo o ódio nas pessoas?

Este livro nasceu desta pergunta. Ao tomar conhecimento de uma parcela da população marginalizada pela sua maneira de pensar, a realidade condizia de fato com os dados da pesquisa da Fundação Perseu Abramo. O objetivo é esclarecer que ateus, só pela condição de serem ateus, não oferecem risco algum. O ateu não difere de um religioso em sua condição humana, a não ser exclusivamente que um não acredita em nenhuma forma de divindade e o outro acredita. Se por um lado o crente não questiona sua existência, do outro lado, foram encontrados, ao longo da pesquisa para este livro, ateus que perderam a sua fé quando começaram a questionar os ensinamentos divinos, ou quando começaram um curso superior e foram apresentados a Darwin e sua teoria da evolução. Seria o conhecimento a linha que separa a fé do ceticismo?

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