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25 de agosto de 2013

Passo o ponto

Outro dia recebi um convite no Facebook para participar de um evento: livros com 50% de desconto. Em uma semana, a livraria na rua de casa, motivo de orgulho da vizinhança, fecharia suas portas. Sim, nem o pequeno bistrot montado na parte de cima do imóvel salvou da falência aquele pequeno espaço que vendia livros. O lugar era charmoso. Os livros eram vendidos a preço de catálogo. O cliente ainda tinha 5% de desconto se pagasse no débito. A livraria também oferecia wi-fi livre e bom, espaço de coworking para aqueles que precisavam se reunir ou que trabalhavam em home office, e podiam ficar ali tomando um cafezinho. Era bom. Era o fim.

Também há alguns dias, alguém me disse que eu era a única pessoa que ele conhecia que alugava filmes. Respondi que achava lúdico e gostoso trocar ideias com os atendentes sobre os últimos lançamentos ou, ainda, pedir a opinião de qual filme locar quando não tinha nada em mente. Hoje é ó último dia de locadora. Vai fechar também. Terei que me contentar com promoções da internet e também com os aluguéis da TV paga. Não gosto de salas de cinema. Não gosto do sentimento coletivo. Quando assisto um filme, vou pra outro mundo. Não gosto do barulho de sacos de salgadinho, canudos chupados até o último gole, pipocas trituradas por dentes famintos. Mas a locadora do lado de casa fecha as portas. Se rende à modernidade. Aos downloads ultra rápidos. Ou nem tão rápidos assim, mas com uma dose de paciência de quem está do outro lado da tela esperando por ele. Ao imediatismo dos filmes piratas que nem saíram do cinema e já estão pipocando nos links. A carteirinha de sócia ficará como suvenir de uma época que não volta mais.

O mesmo para a livraria, que perdeu seu lugar às grandes lojas e ao comércio eletrônico. Aquela felicidade de ligar para perguntar se chegou (o filme ou o livro), colocar um chinelo e caminhar pelas ruas do meu bairro, com uma sacola de feira e a lista do mercado para aproveitar, virou uma recordação boa. Filmes eu consigo assistir no notebook, mas me recuso com veemência a ler livros no tablet. Me sobrou o mercado. E quando a funcionária me vê, logo diz: hoje tem salmão!

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