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13 de janeiro de 2013

Que Eu me proteja – Introdução – Parte 4 – Datena, além de prestar um desserviço à sociedade, levanta uma questão ainda mais preocupante: os brasileiros sabem o que são ateus e agnósticos?

A discussão não é tão pacífica quanto parece. Com uma simples busca sobre o tema na internet é possível encontrar, em redes sociais e blogs pessoais, ofensas e expressões de ódio contra ateus e agnósticos. São pessoas questionando, de forma agressiva, como se pode viver sem “Deus no coração” e também vinculando Deus com amor, atribuindo aos desprovidos de crença a incapacidade de amar.

E a agressividade não se resume só aos questionamentos e ofensas. Em julho de 2011, alguns cristãos ameaçaram de morte e de estupro Blair Scott, diretor de comunicação da associação American Atheists em um canal da Fox News na rede social que mais cresce no mundo: o Facebook. Foram mais de duzentas mensagens recebidas por pessoas que usaram seus perfis verdadeiros para expressarem a raiva, sem se preocupar com o anonimato. As ameaças começaram após Blair, ateu declarado, ter participado do programa American Line, onde defendeu a retirada de uma cruz do memorial criado para homenagear as vitimas do atentado de 11 de setembro, no local onde estavam as Torres Gêmeas, em Nova Iorque.

É comum também encontrar comunidades nas redes sociais expressando a insatisfação com o ateísmo. Títulos como “Odeio ateus” e “Não acredito em ateus” conseguem reunir mais de mil pessoas em seus fóruns. Já no Twitter, as agressões correm soltas e, embora o serviço permita apenas 140 caracteres por post, o número de agressões gratuitas e ameaças é enorme e embasado em poucos ou nenhum argumento.

Em 2010, a discussão sobre o respeito aos ateus foi parar no judiciário. A ação foi  impetrada pela Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA) contra o apresentador de televisão José Luiz Datena, acusado de ofender ateus em seu programa na TV Bandeirantes. Na ocasião, o apresentador disse em rede nacional que pessoas que cometem crimes bárbaros não acreditam em Deus. Na lista de Datena, estão crimes de homicídio, infanticídio, estupro e violência contra as mulheres, que, segundo o apresentador, só podem ser cometidos por cidadãos que “não têm Deus no coração.” Ao associar o ateísmo à marginalização, Datena, além de prestar um desserviço à sociedade, levanta uma questão ainda mais preocupante: os brasileiros sabem o que são ateus e agnósticos?

Neste contexto é fácil entender porque ateus usam o termo “sair do armário” – o mesmo expressado por homossexuais – quando assumem sua posição à sociedade.  Ser ateu, assim como ser gay, é fazer parte de uma minoria reprimida. A outra parte, a maioria, ainda não está preparada para aceitar essa escolha, seja por falta de conhecimento ou por suas crenças. E essa intenção de domínio de um grupo a outro gera preconceitos e até mesmo a discriminação.

O preconceito como atitude discriminatória tem como base a generalização superficial – causada por estereótipos – e levam à exclusão social, à marginalização e, em casos extremos, aos crimes de ódio. A luta contra o preconceito e o respeito às diferenças vem, ao longo dos anos, ganhando forças e se mobilizando. Grupos de defesa dos direitos humanos e organizações não governamentais apóiam causas contra o preconceito racial, sexual e religioso. Porém, existe um défict delas quando o assunto é ateísmo.

A importância que se faz em esclarecer que ateus não acreditam em nenhum tipo de divindades criacionistas é fundamental para desassociar o livre-pensamento da marginalização. O combate ao preconceito deve ser visto como um meio fundamental para alcançar a diversidade cultural, religiosa e sexual em uma sociedade. Aceitar o diferente é, sem dúvida, um passo importante para a convivência humana. Para o filósofo grego Platão (428-347 a.C.), o Bem é a sabedoria e o Mal a ignorância. A falta de conhecimento nos leva a fazer pré julgamentos, de sermos injustos com o outro, de não aceitarmos o diferente.

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