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9 de janeiro de 2014

Interferências

Não gosto muito de usar a escrita para me comunicar sobre assuntos pessoais. A depender de mim, o telefone jamais deixaria de existir. Na escrita formal ou profissional, que não inclui emoções, é mais fácil. Acontece uma interpretação além vez ou outra, mas nada que enlouqueça. Como por exemplo, a pessoa que finaliza um email com o tal “grata” me irrita. O “grata”, para mim, soa como se eu não tivesse feito mais que a obrigação. Em se tratando de assuntos profissionais muitas vezes é verdade. Mas um pouco de gentileza e humildade não faz mal a ninguém. O “grata” não inclui esses predicados na minha interpretação.

Mas é nos assuntos pessoais que o bicho pega. E pega demais para mim, que acostumei com a tal linguagem mais formal. Fazer uma brincadeira então, é um deus nos acuda. Sem contar a via dupla: eu leio, interpreto do meu jeito, respondo e a pessoa interpreta do jeito dela. Sem olhares ou expressões, doces ou profundas. Está escrito. E o papel (ou a tela do computador) aceita tudo, menos suspiros.

Tenho também interpretações secretas que arrancam boas gargalhadas por aqui. Outras que me deixam em dúvida. Por exemplo, “beijos”, assim, no plural, é educado, porém com um toque de intimidade, mas nada além da conta. Já “beijo”, singular, é como um estalo, carinhoso e sutil. Ler um email que começa com “Lu” é diferente do que começa com “Luciana” – o assunto é o mesmo, mas a leitura é diferente de um para outro. As frases curtas também me agradam. Mas email sem pontuação é o fim. Não tenho a menor ideia se é elogio ou se estão me mandando ir pastar.

Mensagens de celular então, sou uma catástrofe. Não consigo passar de 3 SMS trocados e já ligo para resolver o assunto. Não tenho a menor paciência com as teclas pequenas. Esquecer de colocar um “risos” quando se está fazendo uma graça já é capaz de impulsionar uma discussão. E até eu entender que aquilo era uma discussão, meu amigo, vai embora toda a paciência – minha e do outro. E já aconteceu de me perguntarem no outro dia: “que discussão foi aquela de ontem?”, sem eu ter a menor ideia que aquele papo descontraído do dia anterior tinha sido uma discussão.

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