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13 de novembro de 2013

Cara-metade-inteiro

Sabe quando você olha um cara e tem a impressão que o conhece de algum lugar? Recorre a memória, olha pro alto,  lado direito, aperta os lábios e pensa: mas de onde? E a lembrança vem em vultos. Não se reconhece o lugar, nem a circustância, mas o sujeito  está lá. Passa-se um tempo, um novo encontro. Que raios! Não faz ideia. Mas se sente íntima, próxima, quase amantes.

Tenho pensado muito nisso. Essa situação, embora não seja corriqueira, já me aconteceu algumas vezes. Na última, me encantei  pelo moço. Embora nunca tenha conversado pessoalmente com ele. Ouvi o som da sua voz na mesa ao lado. Alto, bonito, galante.  Aquela pulga atrás da orelha que não me deixava esquecer: de onde será que eu o conheço?

E ai começam alguns devaneios. E a tal alma gêmea? A cara metade? A tampa da panela?

Platão tem tudo a ver com isso. O mito da alma gêmea, criado por ele no livro O Banquete, é bem fascinante. Ele diz que,  no início dos tempos, os homens eram seres completos. Com duas cabeças, quatro pernas, quatro braços. Com isso, tinham um deslocamento rápido por um movimento circular. No entanto, por se acharem seres tão bem desenvolvidos, eles resolveram subir aos céus e lutar contra os deuses para tomar seus lugares.  Mas os deuses venceram a batalha e Zeus para castiga-los pela  rebeldia,  tomou na mão uma espada e cortou todos os homens, dividindo-os ao meio. Zeus ainda pediu ao deus Apolo que cicatrizasse o ferimento (o umbigo) e virasse a face dos homens para o lado da fenda para que observassem seu poder. Assim, os homens caíram na terra novamente e, desesperados, cada um saiu à procura da sua outra metade, sem a qual não viveriam.

Enfim, a coisa torna-se ainda mais mito quando o cara, que bem poderia ser sua cara metade, não passa de um meio para passar o tempo. E, depois de saber que não era pra você, deixa pra lá. Mata a pulguinha, vira para o lado e dorme. Afinal, para que procurar a cara-metade quando tudo que a gente quer é um cara inteiro?

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