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10 de maio de 2010

Cadê a paixão que estava aqui?

Olhei pra ele ali na cama, deitado e não o reconheci. As palavras que saiam da sua boca não pareciam com tantas outras que me conquistaram. Olhei fixamente para encontrar o cara que tinha me apaixonado e não o via naquele corpo. A paixão, que quase me enlouquecera nas últimas semanas, tinha saído para dar um passeio. Cansou de mim. Se foi sem se despedir. Eu me senti derrotada. O curioso foi ele perceber essa derrota – antes mesmo de mim – e sem saber qual a batalha que eu perdia ali.

Segundo dicionários, a paixão é um gosto muito vivo, uma acentuada predileção por alguma coisa. Não sei se foi a predileção ou a coisa em si que perdeu seu significado. Ou as duas. Tentei lembrar tudo aquilo que havia me conquistado e já não fazia sentido. Pensei que era momentâneo. Eu só precisava de um bom sono e ao acordar, a paixão estaria ali novamente para eu seguir lutando por ela. Mas, não aconteceu. Acordei com a estranha sensação de liberdade. De leveza.

Lembro que começou devagar. De repente as pernas começaram a tremer e a respiração ficou ofegante. As palavras fugiram e sobrou apenas um “Bom Dia”, que saiu meio murmurado, meio balbuciado. A partir daí, me dei conta que estava apaixonada. Relutei, fingi que não era comigo. Como poderia? Ele, tão diferente, tão novo, tão em outro mundo. Tudo que eu buscava era um amor maduro e sem pressa. Um homem que gostasse de ouvir música francesa comigo aos domingos enquanto eu preparava o almoço. E depois assistisse a três filmes seguidos para aproveitar a cama, o ócio e a preguiça dominical. Aquele dia-a-dia comum, com alguns picos de romantismos. Fins de semana de programinhas intimistas e culturais. Alguma bebedeira com surtos filosóficos e muito bom humor. Porém, enquanto os dias passavam, a paixão ficava mais forte. Como alguém dizendo: “Hei! olha pra mim! Não adianta me ignorar. Não vai conseguir por muito tempo”. E, realmente, não consegui.

Fui mulher forte. Fui muito fraca. Conseguia por alguns momentos ser racional e por muitos tantos outros surtar como se tivesse dezesseis anos. Ele me surpreendeu. Em vários momentos se mostrava mais maduro do que eu pudesse supor. Tinha sacadas geniais. Um papo incrível e uma segurança de dar inveja. Em outros momentos se mostrava frágil, afetuoso e leve. Conseguia compreender meus devaneios e sabia a hora de me chamar à realidade. Era tudo encantador. Era como se aquelas horinhas passadas com ele fossem meu éden. Meu jardim secreto.

Mas, naquela manhã o meu paraíso se transformou em lugar comum. As pernas não tremiam mais. Os olhos não brilhavam e as frases eram clichês. Falas prontas de um livro medíocre. Não sei se a paixão por ele vai voltar. Se saiu por alguns dias e baterá a minha porta novamente com um pedido de desculpas por desaparecer sem aviso. E, ao entrar,  me sentirei invadida por aquela sensação desconfortável de não ter controle sobre si. Ou se ela se foi para sempre. Levando o sentimento e a criatura para deixar o caminho livre para uma nova experiência.

10 de maio de 2010

kiler said:

Se uma pessoa te enganar ela merece uma surra, se esta mesma pessoa voltar a te enganar quem merece a surra é você.

Provérbio chinês

10 de maio de 2010

Tati said:

Minha flor,
todo mundo é tão forte e tão frágil. ser humano vem com essa etiqueta de fábrica. a gente oscila mesmo. A paixão alimenta e, muitas vezes, consome. Mas some.
Adoro que você tenha usado a palavra intimista. Dou uma risada sozinha no meu escritório.
Adoro que você ache que ver três filmes e ouvir música francesa faça parte de um domingo comum.
Adoro saber que vamos passar horas falando disso, conjecturando e tentando entender o que que não é pra ser compreendido. Não por aqui.
Cadê a paixão? O tempo comeu.

beijo,

Tati

10 de maio de 2010

Ivana said:

…”Onde andará meu amor, que me deixou sem avidar quando ou se vai voltar…?!”

Gosto tanto de ler vc!

10 de maio de 2010

Lu Motta said:

Paixões tem prazos de validade tão curtos quanto os iogurtes.

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