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10 de agosto de 2013

A mulher que pegou fogo

Estava um calor de arrebentar mamona e a mulher, gorda que só ela, não estava aguentando mais. O ventilador quebrou. Ar condicionado só em filmes. Ela se refrescava passando gelo na nuca e se abanava com um leque improvisado. Os cabelos ficavam pra cima. Presos por grampos. O suor lhe escorria. Ela gritava da janela. – Claudete, minha filha. Eu não estou aguentando mais! Me empresta esse ventilador que vou pegar fogo. A Claudete, vizinha do cortiço que ouvia a mesma história há anos, não se importava e nem lhe dava resposta. Continuava com os olhos grudados na tela da TV e o ventiladorzinho que tinha parcelado soprava ainda mais quente. Mas soprava. E ali ela ficava. A mulher sentou no sofá. Pode um calor desses? Pensava ela. Pode. Ela mesma respondia. E nesse pergunta e responde pra si, ela olhou para o dedo do pé e viu que estava pegando fogo. Pensou que estava delirando. Sacudiu o pé para lá e para cá e o fogo espalhou para o outro pé. Mas que absurdo é esse? Falou, em voz alta, enquanto via o fogo se alastrando para as pernas. Correu na cozinha. Pegou água. Jogou. O fogo já estava  perto da cintura. Começou a gritar. Correu para o quintal procurando a mangueira. O fogo já tinha tomado seu corpo. Ela gritando, o fogo queimando. E quando mais gritava, mais o fogo queimava. Caiu no chão. Agonizante. Conseguiu apenas gritar: Claudete! E morreu queimada, a pobre. Claudete não lhe deu ouvidos. Ô mulher que reclama! Gritou ela. E voltou os olhos pra novela.

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