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10 de agosto de 2013

A descontrução do mito

A vida inteira ouvi que tem que trabalhar duro para vencer na vida. Nos desejos de ano novo, nos votos de felicidade de um aniversário, o pedido de muito trabalho para mim – ou para o outro – está sempre presente. E verdade seja dita, ele sempre sai do desejo para o real. Trabalho, trabalho e mais trabalho. “Graças a deus”, pensa um que está lendo isso agora. “Que bom né?”, indaga o outro, mentalmente. Existe até um dito popular que “o único lugar que o sucesso vem antes do trabalho é o dicionário”. Pois bem, estava eu na terapia – falando de trabalho, claro – quando, sem muito alarde, minha terapeuta diz que, a busca correta é pela abundância, pois, desta forma, o trabalho vem acoplado com grana, satisfação, tempo para as milhares de outras coisas da qual precisamos: amores, amigos, filhos, viagens, enfim, aquilo que realmente importa na vida. E mudou de assunto.

Opa, como assim mudar de assunto? Você está descontruindo um mito que carrego por um bom tempo de existência! Tudo que criei é baseado nessa premissa! Disse, bem indignada. Ela riu, claro. Mas o fato é que caiu a ficha. Teorizamos mil exemplos, excedemos o tempo, senti alívio e medo. Será que eu consigo deixar de ser compulsiva por trabalho e me dedicar as coisas que realmente importam para mim?

Pois bem, percebi que minha vida é circular e minhas semanas se desenrolam – e por vezes até me impressionam – com os assuntos da terapia de segunda-feira. Estava pensando nisso quando me deparei com o texto “trabalhar é cafona”. Será que o assunto está na moda e só eu não percebi? O artigo é da Revista TMP. Nele, a colunista Nina Lemos afirma que trabalhar é cafona pois, segundo ela, as pessoas utilizam o famoso “estou trabalhando demais” como desculpas para uma vida chata, ou se abdicarem da vida social. Enfim, os motivos dela são engraçados, porém, nada muito profundo.

Continuei a semana prestando atenção no modo que as pessoas se comportam. Valoriza-se realmente o trabalho, independente se ele lhe retorna com gratidão. E é ai que mora o equívoco. Já trabalhei com pessoas que tinham tanta mania em trabalhar que o faziam de graça. Já fiz isso também. Trabalhar para não ficar parada. Trabalhar, pois, o fazer nada e eu nunca nos demos muito bem. Como descendente de italianos, sou uma vergonha. Nunca soube apreciar o “dolce far niente”.

Nunca até agora. Conversando com uma amiga sobre o assunto, ela afirmou categoricamente que a mania de trabalho é um defeito, realmente. Que criou-se o mito de que tem que dar duro para conseguir o éden. Ou seja, primeiro você come o pão que o diabo amassou para, só depois – e muito depois – entrar no paraíso. Besteira, diz ela, a vida é muito mais simples que isso. E ainda lembra que tem pessoas que trabalham duro a vida inteira e nunca conseguem nada, somente a sobrevivência. Concordo com ela.

Lembrei de uma frase que li há muito tempo, não lembro onde, que descontruir ideias e ideais é muito mais difícil que construir. Realmente, tanto que, se pensarmos em termos práticos e físicos, é mais fácil derrubar uma casa em ruínas e construir outra do que reformá-la. Mas, e quando o prédio é tombado?

O assunto pode até virar moda um dia, mas comecei com uma placa “Nesta casa se quer abundância”, para eu lembrar, a cada momento, do real objetivo. E tento incorporar ao meu dia a dia um olhar mais atento as pequenas coisas, faço pausas, ligo para um amigo, combino chopes, e desejo, a todo momento, para mim – e para o outro – amor, saúde, sucesso e paz.

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